domingo, 18 de março de 2012

Os justos ou a vida interior

Pormenor de uma obra de Andrea Mantegna (1431-1506): o caminho...


“Um santo não vive do rendimento dos seus rendimentos, nem apenas dos seus rendimentos, vive do seu capital, arrisca totalmente a sua alma. (...) a vida interior contra a qual conspira a nossa civilização inumana na actividade delirante, na furiosa necessidade de distração e na abominável dissipação de energias espirituais degradadas, estrada por onde se perde a substância da humanidade.”

Georges Bernanos, in La liberté pour quoi faire, Gallimard, 1953   

4 comentários:

  1. "Arriscar totalmente a alma" vale se houver um caminho bem definido para nós e também para os outros.Este é o nosso drama.Refiro-me a certas verdades de fé. Gostaria de ser tão crente como Bernanos. Ou, então, mais convertido, e assumir que "tudo é Graça" na vida.Talvez, nesta inquietação esteja a nossa vida interior, depreciada na actualidade, pela "civilização inumana".Hoje, domingo, sabe-me bem, recordar este escritor e algumas das suas obras de leitura da minha juventude de estudante,(que sisudos e sérios éramos) emoldurada, com um quadro de Mantegna. Um abraço do José Manuel

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  2. É o movimento dentro do risco que define o caminho. E cada um tem o seu,ainda que no sentido da verdade interior. Não sinto esse drama que refere; sinto que muitas vezes me falta a coragem. E procuro recomeçar.Sim: "Qu'est-ce que cela fait? Tout est grâce", são as últimas palavras do padre de aldeia... E também disso não duvido. Um abraço.

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  3. Manuel,
    Uma beleza esta postagem.
    A vida interior, a busca de harmonia e paz talvez combatesse este mundo inumano.

    Às vezes questionamo-nos dessa fonte de fé...
    Beijinho.

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  4. Ana, é o único caminho. Não é necessariamente uma fonte de fé: é uma fonte de humanidade.

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