João Gaspar Simões (1903-1987)
Hoje vou à tarde ao Círculo Eça de Queiroz conversar acerca de João Gaspar Simões.
Hoje vou à tarde ao Círculo Eça de Queiroz conversar acerca de João Gaspar Simões.
O grande escritor, silenciado, enterrado, esquecido, o maior, o mais completo e complexo crítico literário português, e romancista, e dramaturgo, e autor de duas biografias fundamentais e inultrapassadas, as de Eça e de Pessoa, esteve, também, na origem de um movimento cultural que abriu as nossas janelas para a Arte moderna: “presença” (1927-1940).
Não só a “presença” recuperou os homens do “Orpheu” (1915) como nos trouxe Dostoievski, Gide, Proust, Tolstoi...
Certo que, em 1890, Maria Amália Vaz de Carvalho escrevera sobre “Crime e Castigo”, de Dostoievski...
Mas dir-se-ia que se ficámos por aí.
Foi nas páginas de “presença” que João Gaspar Simões publicou, logo no nº6, Julho de 1927, o artigo “Depois de Dostoievski”.
Gaspar Simões pensava no problema do romance português, há muito a gastar-se em “prosa”: bem embrulhado e com nada dentro.
À parte Camilo, Júlio Dinis, Eça..., pois claro!
E escrevia:
“Em Dostoievski tudo é vivo. A sua verdadeira contribuição ao renascimento do romance foi, exactamente, uma contribuição vital, biológica. (...) Para que o romancista realize, por conseguinte, uma verdadeira obra viva é necessário que persiga elementos humanos tanto dentro como fora de si, elementos desses que se cativam mais com o espírito do que com a matéria, mais com o fundo do que com a forma.”
Hoje, quando o nosso romance reentra em crise e se voltou a formas de gongorismo, a parlapatar ou a despejar, mal disfarçadamente, o que se pilhou noutros, essas palavras de João Gaspar Simões sabem a sábio.

Gostava de poder assistir a essa palestra.
ResponderEliminarDeve ser bem interessante.
Pena que estou cá muito longe.
Um beijinho
De João Gaspar Simões li as duas biografias que refere, de Fernando Pessoa e de Eça de Queiróz. Muito boas - embora, no caso da de Fernando Pessoa, que é o autor de e sobre quem mais li, me pareça que é ligeiramente exagerada, e mais literária do que convém a uma biografia. Ainda assim, uma biografia marcante no «universo pessoano», que se lê com bastante prazer.
ResponderEliminarTenho a certeza que os mestres, mais cedo ou mais tarde, terão sempre o seu justo lugar. João Gaspar Simões há-de ressurgir um dia. No dia em que voltar a haver crítica literária em Portugal...
Abraço.
Isabel, foi uma conversa. Sabe como eu sou anti-académico. E sempre tanto para dizer do que sabemos!Um lugar comum? Pois. Mas esses, às vezes, são a cristalização da sabedoria. Foi bom falar do Mestre e de um homem muito bom.
ResponderEliminarSim, André... Nesse dia. E até noutro: quando, por exemplo, ler "Pântano", romance do JGS, que é dos melhores que se escreveram século vinte português. Ele era um criador, e por isso compreendeu melhor as criações.
ResponderEliminar"O pântano", há-de ser o que vou ler a seguir ao que estou a ler. Tenho-o cá há muito tempo e como tantos, está em espera. Para a próxima semana já vou lê-lo.
ResponderEliminarPalestra ou conversa, adorava ter lá estado...
Um beijinho e um bom dia
Coreu bem. Mas terei que lhe dizer nome das personagens.
ResponderEliminarNome das personagens?...
ResponderEliminarLembrei-me já depois de ter deixado o último comentário, que com o nome das personagens se está a referir a quem eram na realidade algumas das personagens de "O Pântano". Recordo-me de ter lido sobre elas, nalgum livro, talvez nas suas memórias. Foi?
ResponderEliminar