
Escreveu Afonso Duarte, no seu O Ciclo do Natal na Literatura Oral Portuguesa: ‘Quanto a nós, o que transparece destes cantos de Natal, como fundo do sentimento religioso popular, é alguma coisa de divino no belo, mas sem grande idealidade, antes profundamente realista. Esta linguagem física e sensual, comum, é certo, a todos os povos ainda não dissociados pela acção cultural, sobressai com extremos de figuração metafórica no culto do Menino Jesus.’
E exemplifica:
Ó meu menino Jesus,
Boquinha de marmelada;
Oh, quem a comera toda
E não lhe deixara nada!
Ó meu menino Jesus,
Boquinha de requeijão;
Quem me dera a comer toda
Com bocadinhos de pão.
E, por causa do “divino no belo”, fui buscar uma pintura de Filippo Lippi...
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