
O livro aí acima é obra de um dos maiores escritores espanhóis de todos os tempos: Pio Baroja. Encontrei-o, por acaso, entre muitos outros livros, condenados ao abandono e a apodrecer. Curiosa primeira edição de 1941, com ilustrações de Nomo. Não faço ideia de quem era Nomo, mas tinha talento. Levo já mais de cem páginas lidas de Los impostores joviales.
Quando se pega em Baroja, nunca mais se larga. Não há limites para a criatividade do basco (que rejeitava, como Miguel de Unamuno, o nacionalismo basco...): livre, capaz de fixar uma personagem e um ambiente, em duas penadas, curioso da vida até à exaustão (ele que lera e apreciara o pessimismo de Schopenhauer...), contador da vida em movimento, da vida imprevista, aventurosa, envolve-nos: seduz-nos. A própria vida de Baroja foi, também, uma aventura: médico contra vontade, anarquista visceral, correu a Europa, instalou-se aqui e ali, nunca se deixou prender por nenhuma ideologia oficial. Preso, isso foi: pelos franquistas... e solto, verdadeiro milagre!, logo a seguir: uma alma boa ou lúcida salvou-o. Essa alma boa e lúcida, o Duque da Torre, viria a ser (não admira) o preceptor do actual Rei de Espanha...
Refugiou-se em Paris, no Colegio de España, de onde o embaixador da República espanhola tentou, em vão, expulsá-lo. De onde que os republicanos espanhóis respeitavam o talento, a liberdade de pensamento e... a democracia.
Pio Baroja andou, sempre, às avessas com todos os poderes instituídos –era, como disse, um anarquista pacífico (o serviço militar repugnava-lhe e conseguiu safar-se dele). Acabada a guerra civil, regressou a Espanha, instalou-se em Madrid –onde o viam passear, solitário, pelo Parque del Retiro. Os franquistas censuraram-lhe livros, proibiram-lhe outros (a novela sobre a guerra civil, ‘Miserias de la Guerra’, na qual, aliás, criticava os republicanos). Morreu em 1956, recusando..., outra vez recusando, como se não pudesse fazer outra coisa..., a extrema unção. Enterro civil, portanto, mais um escândalo, atendendo ao vento que soprava... Hemingway e Camilo José Cela foram duas das quatro pessoas que levaram, aos ombros, o féretro.
Uma biografia assim incomodará quem lhe exigisse ‘coerência’ (milhares das sua páginas sobre a miséria humana, a injustiça e a prepotência, fariam esperar atitudes diferentes). Mas a sua ‘coerência’ era aquela: ser ele próprio, insubmisso na raiz, homem que recusa (pois... que recusa...) albarda –génio indomável, inclassificável, inquadrável.
E, na verdade, quantos escritores menoríssimos não esconderam a própria mediocridade na capa dos ‘grandes gestos’ cívicos... Não, meus amigos, para o génio a bitola tem de ser outra.
Quando se pega em Baroja, nunca mais se larga. Não há limites para a criatividade do basco (que rejeitava, como Miguel de Unamuno, o nacionalismo basco...): livre, capaz de fixar uma personagem e um ambiente, em duas penadas, curioso da vida até à exaustão (ele que lera e apreciara o pessimismo de Schopenhauer...), contador da vida em movimento, da vida imprevista, aventurosa, envolve-nos: seduz-nos. A própria vida de Baroja foi, também, uma aventura: médico contra vontade, anarquista visceral, correu a Europa, instalou-se aqui e ali, nunca se deixou prender por nenhuma ideologia oficial. Preso, isso foi: pelos franquistas... e solto, verdadeiro milagre!, logo a seguir: uma alma boa ou lúcida salvou-o. Essa alma boa e lúcida, o Duque da Torre, viria a ser (não admira) o preceptor do actual Rei de Espanha...
Refugiou-se em Paris, no Colegio de España, de onde o embaixador da República espanhola tentou, em vão, expulsá-lo. De onde que os republicanos espanhóis respeitavam o talento, a liberdade de pensamento e... a democracia.
Pio Baroja andou, sempre, às avessas com todos os poderes instituídos –era, como disse, um anarquista pacífico (o serviço militar repugnava-lhe e conseguiu safar-se dele). Acabada a guerra civil, regressou a Espanha, instalou-se em Madrid –onde o viam passear, solitário, pelo Parque del Retiro. Os franquistas censuraram-lhe livros, proibiram-lhe outros (a novela sobre a guerra civil, ‘Miserias de la Guerra’, na qual, aliás, criticava os republicanos). Morreu em 1956, recusando..., outra vez recusando, como se não pudesse fazer outra coisa..., a extrema unção. Enterro civil, portanto, mais um escândalo, atendendo ao vento que soprava... Hemingway e Camilo José Cela foram duas das quatro pessoas que levaram, aos ombros, o féretro.
Uma biografia assim incomodará quem lhe exigisse ‘coerência’ (milhares das sua páginas sobre a miséria humana, a injustiça e a prepotência, fariam esperar atitudes diferentes). Mas a sua ‘coerência’ era aquela: ser ele próprio, insubmisso na raiz, homem que recusa (pois... que recusa...) albarda –génio indomável, inclassificável, inquadrável.
E, na verdade, quantos escritores menoríssimos não esconderam a própria mediocridade na capa dos ‘grandes gestos’ cívicos... Não, meus amigos, para o génio a bitola tem de ser outra.
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