
Sessenta e Três Aforismos (edição de autor) é a 40ª obra de Vicente Sanches, publicada. A 40ª, segundo ele... Escreveu e publicou outras. E fica-se a pensar: por que é que a crítica (haverá crítica?) e o público ignoram um autor da grandeza de Vicente Sanches? Não hesito: Vicente Sanches iguala os melhores dramaturgos portugueses, nada deve a muitos estrangeiros. Ao mesmo tempo, não me admiro: o nosso é o tempo do descartável, do superficial... E, depois, há o PAC: o Processo de Analfabetização em Curso, iniciativa da já tristemente célebre firma Lurdes & Lemos & Pedreira, Sociedade de Irresponsabilidade Ilimitada...
O regresso à literatura de cordel é resultado de tudo isso. Acima, reproduzo o cartaz da peça de Sanches, A Birra do Morto –é uma das preferidas dos grupos teatrais que tentam revitalizar o nosso país (o TMG, Teatro Municipal da Guarda, encenou, há anos, com muito êxito, uma sua peça sobre Van Gogh).
Devo, porém, assinalar que as prestigiosas Edições Cotovia (dirigidas por gente de cabeça lúcida e sentido das coisas da Arte) publicaram 5 livros de Vicente Sanches. É pena que tenham parado, mas a iniciativa foi uma bela forma de homenagem a um homem que se marimba para as homenagens, para a feira das vaidades literatas e, retirado no “seu Castelo Branco” (que terá de abandonar em Setembro, coisas...) já ergueu obra ímpar, admirável e riquíssima.
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