segunda-feira, 8 de junho de 2009

O dia de hoje: um problema de unicefalismo

As eleições para o Parlamento Europeu, em plena maior crise social dos últimos 80 anos, penalizaram os governos em exercício e, sobretudo, os governos considerados ou que se autoconsideram de esquerda e partidos considerados ou que se autoconsideram socialistas.

Em Inglaterra, os trabalhistas, em Espanha, o PSOE, na Alemanha, o SPD, em França, o PS (que nem participava do governo)...

Entre nós, não foram os socialistas, nem o PS -único partido no governo-, que sofreram penalização: foi José Sócrates. O PS é José Sócrates, o governo é José Sócrates. A governação, em Portugal, é unicéfala: um homem e os seus ajudantes, completamente dependentes e submetidos à vontade e teimosia do chefe. Sócrates dispensou, sempre, o diálogo: com os ajudantes, com os socialistas, com os portugueses. Governou sozinho, falou sozinho.

O eleitorado em geral e socialistas, em particular, castigaram o unicefalismo de Sócrates: mais discretamente, abstiveram-se; menos discretamente, deslocaram-se para os partidos, que consideraram de esquerda, sobretudo, para o BE, e também para o PCP. E houve “centristas liberais”, que preferiram o PSD.

Se José Sócrates ignorar o protesto/castigo, tal qual ignorou, soberbamente, todas as manifestações de rua e greves contra o seu modo unicéfalo de pensar –em Outubro próximo, muito provavelmente, quase certamente, terá mais um grande desgosto.

E, se, em Outubro, ignorar a forte subida da esquerda -BE e PCP somaram 21% dos votos-; se não quiser reconhecer que muitos socialistas se afastaram do seu PS unicéfalo ou deixaram de acreditar neste PS unicéfalo, manifestando-se quer através da abstenção, quer optando pelo BE ou PCP; se José Sócrates, depois das eleições legislativas, aceitar os braços desde já abertos, abertíssimos, do PSD -aceitar um novo Bloco Central-, levará o seu (dele) PS a um desastre muito maior. Não será esse PS que ‘engolirá’ o PSD –acontecerá o contrário. O eleitorado terá, definitivamente, percebido, que o PS se autoconsidera socialista mas que, de socialista, não tem mais que o nome -que este Ps não é o PS. E ou preferirá o que é o que é, o PSD, ou irá à sua vida, por outras bandas socializadoras.

1 comentário:

  1. Pois... Temo que a governação não seja unicéfala mas, antes, acéfala!!

    Beijinho

    ResponderEliminar