O Jornal de Notícias de ontem, publica uma excelente reportagem de Ana Trocado Marques, sobre o “caso Qimonda”, onde ficamos a conhecer mais uma forma perversa da nova escravatura. Ora leia-se: determinada funcionária, Isabel Freitas, apanhada nas malhas do lay-off, passou a “suspendida” e, provavelmente, a curto prazo, passará a “despedida”. Neste momento, recebe um salário, “pouco mais que o mínimo nacional”. Tem casa e carro a pagar. Vive sozinha. Mas isso seria ‘o pão nosso de cada dia’ –que já atingiu, até sem nenhum salário a receber, centenas de milhares de portugueses (e obrigou milhões de portugueses a emigrarem). O perverso, o diabólico, o vergonhoso vem agora: Isabel Freitas. especializou-se, melhorou a sua capacidade profissional, fez cursos e cursos de formação. E eis que o bicho torce o rabo: especializou-se num trabalho que só pode exercer numa empresa como a Qimonda e Quimondas há só uma em Portugal. A empresa ‘ajudou’ Isabel Freitas a transformar-se numa simples (ainda que óptima) peça da sua (dela, Qimonda) grande máquina. E, quando a Qimonda der às de vila Diogo, deita para trás a peça, esquece-a, deixa Isabel Freitas a enferrujar algures, e... trata de ‘fazer, formar, especializar’ uma nova funcionária... uma nova peça da bruta máquina... uma nova escrava... Como fará? Como faz, sempre: enchendo-lhe o cérebro de uma só sabedoria, vacinando-lhe o cérebro contra qualquer outra veleidade intelectual..., que não sirva a Qimonda... Faz o que fazem todas as 'Qimondas', neste raiar de um século, o XXI, desumano, gelado, desertico... Estragado, à partida.
Até ver... espera-se. Tudo tem remédio. E o mundo, os séculos, a vida -somos nós que os fazemos.
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