
"Antes de mais, sê fiel a ti mesmo, e a isso seguirá, como à noite segue o dia, que não serás falso com ninguém". O inglês John Carlin, cita esta frase de Shakespeare, no artigo acerca do drama político de Gordon Brown, que aqui transcrevi. Ao que parece, Brown não aprendeu a “arte” politiqueira do malabarismo: sorrisos e abraços, a torto e a direito, dançar o malhão ou confraternizar com o Quim Barreiros, prometer, prometer, dizer a tudo que sim, beijar criancinhas, ajudar velhinhas a atravessar a rua, mascarar-se de pescador, deliciar-se com o amor das vaquinhas aos robôs, que lhes chupam as tetas e celebrá-lo, girar, girar, a meio do vira-ora-vira-torna-a-virar, oferecer canetas (ou computadores, ainda que não funcionem...) aos estudantinhos, não perder a hora de ponta dos telejornais..., em suma, treinar a cambalhota...
Brown é um homem íntegro –e, rarissimamente, um homem íntegro é um político. É um homem superiormente inteligente –e um político, para subir na vida, não precisa nem deve ser demasiado inteligente, antes pelo contrário: tem, apenas, que ser brilhante, de ter pata p'ra dança...
Gordon Brown não perde tempo com fogos de vista. Não se vende por um pratinho de lentilhas: é filho de um Pastor protestante –logo, teve formação religiosa, aprendeu a importância do imperativo ético.
Ora a cartilha dos politiqueiros nada tem de ética e não conhece a religiosidade. Maquiaveletas de aldeia, por essas serras espalhadas, apontam à presidência da Junta de Freguesia, depois, da Câmara Municipal, depois, ao lugarzinho no Parlamento... finalmente, à malga de secretário de estado, depois, ainda, ao banquete ministerial, por que não?, a S. Bento... a Belém... Camilo sabia-o e Calisto Elói também. Na ‘Campanha Alegre’, de Eça, e n’ Os Gatos, de Fialho, abundam esses regedores, broncos ou chicos-espertos, sempre a fuçar, sempre a venderem-se e a venderem gato por lebre, à cata do erário...
Gordon Brown não tem nada a ver com essa brigada esfomeada, espécie de L’Armata Brancaleone, o inesquecível filme de Mario Monicelli, com Vittorio Grassman e Gian Maria Volonté (e outros, por exemplo, o ‘genial’ Carlo Pisacane, em ‘Abacuc’), que corre atrás do que reluz e tilinta. E o primeiro-ministro inglês paga a própria honestidade: desce, vertiginosamente, nas sondagens, porque, quando quis macaquear o vendedor da banha da cobra, deixou perceber que mentia aos eleitores... porque, estruturalmente, não é um vendedor da banha da cobra...
Que alguém tenha uma formação religiosa -ainda que, depois se afaste da religião no seio da qual cresceu- deixa, a meu ver, marca positivíssima: a incontornável presença do imperativo ético. Em Israel, foi minha médica assistente uma jovem mulher, Leah Luzatto, filha do Rabino-Mor de Genova, imigrante em Telavive. É uma médica extraordinária e superiormente humana. Disse-lhe, muitas vezes. ‘A tua generosa humanidade deve-se a seres filha de um rabino...’
Ora a cartilha dos politiqueiros nada tem de ética e não conhece a religiosidade. Maquiaveletas de aldeia, por essas serras espalhadas, apontam à presidência da Junta de Freguesia, depois, da Câmara Municipal, depois, ao lugarzinho no Parlamento... finalmente, à malga de secretário de estado, depois, ainda, ao banquete ministerial, por que não?, a S. Bento... a Belém... Camilo sabia-o e Calisto Elói também. Na ‘Campanha Alegre’, de Eça, e n’ Os Gatos, de Fialho, abundam esses regedores, broncos ou chicos-espertos, sempre a fuçar, sempre a venderem-se e a venderem gato por lebre, à cata do erário...
Gordon Brown não tem nada a ver com essa brigada esfomeada, espécie de L’Armata Brancaleone, o inesquecível filme de Mario Monicelli, com Vittorio Grassman e Gian Maria Volonté (e outros, por exemplo, o ‘genial’ Carlo Pisacane, em ‘Abacuc’), que corre atrás do que reluz e tilinta. E o primeiro-ministro inglês paga a própria honestidade: desce, vertiginosamente, nas sondagens, porque, quando quis macaquear o vendedor da banha da cobra, deixou perceber que mentia aos eleitores... porque, estruturalmente, não é um vendedor da banha da cobra...
Que alguém tenha uma formação religiosa -ainda que, depois se afaste da religião no seio da qual cresceu- deixa, a meu ver, marca positivíssima: a incontornável presença do imperativo ético. Em Israel, foi minha médica assistente uma jovem mulher, Leah Luzatto, filha do Rabino-Mor de Genova, imigrante em Telavive. É uma médica extraordinária e superiormente humana. Disse-lhe, muitas vezes. ‘A tua generosa humanidade deve-se a seres filha de um rabino...’
Ai do político que não aprendeu a dançar o vira! Creio que percebes onde quero chegar, amigo que me lês...
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