
Sempre na Livraria Lumière (onde poderia ter sido?), descobri essa raríssima edição (primeira) de Rapsódia do Sol-Nado seguida do Ritual do Amor (Renascença Portuguesa, 1916) e aqui deixo outro belíssimo soneto de Afonso Duarte –poesia que, pela grandeza, desconhece o tempo...
Paisagem Única
Olhas-me tu: E nos teus olhos vejo
Que eu sou apenas quem se vê: assim
Tu tanto me entregaste o teu desejo
Que é nos teus olhos que eu me vejo a mim.
Em ti, que bem, meu corpo se acomoda,
Ah, quanto amor por os teus olhos arde!
Contigo sou? –pérco a paisagem toda...
Longe de ti? –sou como um dobre à tarde...
Adeuses aos casaes dessas Marias
Em cuja graça o meu olhar flutua,
Tudo o que amei ao teu amor o entrego.
Choupos com ar de velhas Senhorias,
Castelo moiro donde nasce a Lua,
E, apenas tu, a tudo o mais sou cego.
Paisagem Única
Olhas-me tu: E nos teus olhos vejo
Que eu sou apenas quem se vê: assim
Tu tanto me entregaste o teu desejo
Que é nos teus olhos que eu me vejo a mim.
Em ti, que bem, meu corpo se acomoda,
Ah, quanto amor por os teus olhos arde!
Contigo sou? –pérco a paisagem toda...
Longe de ti? –sou como um dobre à tarde...
Adeuses aos casaes dessas Marias
Em cuja graça o meu olhar flutua,
Tudo o que amei ao teu amor o entrego.
Choupos com ar de velhas Senhorias,
Castelo moiro donde nasce a Lua,
E, apenas tu, a tudo o mais sou cego.
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