
Em edição de autor, apareceu a quadragésima obra de Vicente Sanches: “Sessenta e Três Aforismos”. Quadragésima se fizermos fé ao rol de títulos que o autor apresenta nesse livro. Eu não faço: sei que Vicente Sanches publicou outros títulos, o rol é uma selecção, uma escolha, preferências. Há quase 50 anos que Vicente Sanches publica livros, principalmente peças de teatro. Algumas já foram encenadas, com êxito; mas Vicente Sanches é o mais desconhecido dos escritores portugueses. Não sei explicá-lo. As Edições Cotovia lançaram 5 livros de Sanches, e bastou. Também não sei porquê –por que se viram as costas a um dos melhores autores de língua portuguesa.
Atendendo ao muito, muitíssimo que havia a dizer e ao tempo e espaço, não irei longe, na análise de “Sessenta e Três Aforismos”. No entanto, aqui deixo o meu apontamento: o texto (os textos) de Vicente Sanches confirmam aquilo que penso: a sua actualidade. Sanches é um escritor religioso, um escritor católico –um escritor metafísico, que quer ver aquilo que está além do físico. O físico não passará do envelope do essencial, tal qual “a materialidade literária da Escritura”, como Sanches sublinha a propósito da Kaballa judaica. E este homem, que luta, obstinadamente, para permanecer em Deus e no Absoluto, conclui, referindo a saudade da Esperança: “forma doce, forma perversíssima de ainda poderem desfrutar do calor do sol da Esperança, maravilhosamente!, os desesperados definitivamente”. Ora esse drama, a saudade da Esperança que aponta o Absoluto e o desespero definitivo dos “envelopes”, bandeiras do racionalismo redutor –marca as pessoas do nosso tempo gelado.
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